quinta-feira, 25 de junho de 2009

A fonoterapia a Serviço da Terceira idade

Este projeto teve o intuito de analisar a deglutição de sujeitos portadores da doença de Alzheimer. A Doença de Alzheimer representa 70% do conjunto das doenças que afetam a população geriátrica. Com a evolução da doença surgem problemas de paladar, deglutição e alucinações visuais e auditivas, podendo haver a evolução para a incapacidade de compreender a palavra escrita ou falada, assim como a dificuldade em falar ou escrever. A deglutição é uma das funções biológicas básicas e a orquestração neurológica é essencial para realização da mesma. Participaram da pesquisa 8 sujeitos portadores desta doença, os mesmos foram submetidos a uma videoendoscopia da deglutição com objetivo de ter uma avaliação qualitativa e quantitativa da deglutição desses sujeitos. Como resultado, verificamos que os pacientes apresentaram disfagia, com variação de acúmulo na área das valéculas e seios piriformes. Nos alimentos líquidos a média de acúmulo foi de 87,5%. No alimento pastoso esta média subiu para 100% dos casos, e no alimento sólido o acúmulo se apresentou em 62,5% dos casos; sendo esses acúmulos de leve a severo. Esses pacientes foram encaminhados para tratamento fonoterápico da deglutição e da linguagem.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Por Drauzio varella

Alzheimer
A doença de Alzheimer (Alois Alzheimer, neurologista alemão que primeiro descreveu essa patologia) provoca progressiva e inexorável deterioração das funções cerebrais, como perda de memória, da linguagem, da razão e da habilidade de cuidar de si próprio.
Cerca de 10% das pessoas com mais de 65 anos e 25% com mais de 85 anos podem apresentar algum sintoma dessa enfermidade e são inúmeros os casos que evoluem para demência. Feito o diagnóstico, o tempo médio de sobrevida varia de 8 a 10 anos.

Sintomas
·Estágio I (forma inicial) – alterações na memória, personalidade e habilidades espaciais e visuais;

·Estágio II (forma moderada) – dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos; agitação e insônia;

·Estágio III ( forma grave) – resistência à execução de tarefas diárias, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer, deficiência motora progressiva;

·Estágio IV (terminal) – restrição ao leito, mutismo, dor à deglutição, infecções intercorrentes.

Diagnóstico
Não há um teste diagnóstico definitivo para a doença de Alzheimer. A doença só pode ser realmente diagnosticada na autopsia. Médicos baseiam o diagnóstico no levantamento minucioso do histórico pessoal e familiar, em testes psicológicos e por exclusão de outros tipos de doenças mentais. Mesmo assim, estima-se que o diagnóstico possa estar equivocado em 10% dos casos.

Tratamento
Até o momento, a doença permanece sem cura. O objetivo do tratamento é minorar os sintomas. Atualmente, estão sendo desenvolvidos medicamentos que, embora em fase experimental, sugerem a possibilidade de controlar a doença.

Causas
Não se conhece a causa específica da doença de Alzheimer. Parece haver certa predisposição genética para seu aparecimento. Nesses casos, ela pode desenvolver-se precocemente, por volta dos 50 anos.
Pesquisadores levantam a hipótese de que algum vírus e a deficiência de certas enzimas e proteínas estejam envolvidos na etiologia da doença. Outros especulam que a exposição ao alumínio e seu depósito no cérebro possam contribuir para a instalação do quadro, mas não foi estabelecida nenhuma relação segura de causa e efeito a respeito disso.

Recomendações
Cuidar de doentes de Alzheimer é desgastante. Procurar ajuda com familiares e/ou profissionais pode ser uma medida absolutamente necessária.
Algumas medidas podem facilitar a vida dos doentes e de quem cuida deles:

·Fazer o portador de Alzheimer usar uma pulseira, colar ou outro adereço qualquer com dados de identificação (nome, endereço, telefone, etc.) e as palavras “Memória Prejudicada”, porque um dos primeiros sintomas é o paciente perder a noção do lugar onde se encontra;

·Estabelecer uma rotina diária e ajudar o doente a cumpri-la. Espalhar lembretes pela casa (apague a luz, feche a torneira, desligue a TV, etc.) pode ajudá-lo bastante;

·Simplificar a rotina do dia-a-dia de tal maneira que o paciente possa continuar envolvido com ela;

·Encorajar a pessoa a vestir-se, comer, ir ao banheiro, tomar banho por sua própria conta. Quando não consegue mais tomar banho sozinha, por exemplo, pode ainda atender a orientações simples como: “Tire os sapatos. Tire a camisa, as calças. Agora entre no chuveiro”;

·Limitar suas opções de escolha. Em vez de oferecer vários sabores de sorvete, ofereça apenas dois tipos;

·Certificar-se de que o doente está recebendo uma dieta balanceada e praticando atividades físicas de acordo com suas possibilidades;

·Eliminar o álcool e o cigarro, pois agravam o desgaste mental;

·Estimular o convívio familiar e social do doente;

·Reorganizar a casa afastando objetos e situações que possam representar perigo. Tenha o mesmo cuidado com o paciente de Alzheimer que você tem com crianças;

·Conscientizar-se da evolução progressiva da doença. Habilidades perdidas jamais serão recuperadas;

·Providenciar ajuda profissional e/ou familiar e/ou de amigos, quando o trabalho com o paciente estiver sobrecarregando quem cuida dele.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sejam Bem vindos ao Blog "cuidadoradeidosos

Este blog surgiu de uma nescessidade de familiares,saberem mais como é o processo de envelhecimento normal e também sobre dêmencias no idoso ,a mais popularmente falada " O Mal de Alzheimer"Na nossa cultura o idoso não é tratado como deveria,por ser a nossa referencia temos que mudar a realidade do tratamento de nossos idosos. Por isso temos orgão como Abraz que está fazendo um trabalho de grande porte e pessoas que se dedicam a este tema como Laura Botelho.Este blog é dedicados a todos os prfisionais de saúde, cuidadores e familiares dos nossos idosos e, que DEUS nos ajude a estarmos acima de nossa luta e nossas raizes avançando rumo a nossa conciência e sermos seres produtivos. Dedico este Blog a minha querida Mãe refêrencia de amor ,luta e dedicação.que fez da sua Luta contra o Cancer um marco de coragem e Fè

Indagações de familiares portadores de Alzheimer

Gostaria de saber com qual idade se inicia esta doença e quais são os sintomas iniciais.

Normalmente após os 65 anos, com a prevalência crescendo exponencialmente com o aumento da idade, sendo muito freqüente após os 90 anos. Existem alguns raros casos com uma freqüência em muitos membros da mesma família que pode começar antes dos 60 anos e cujo quadro tem uma progressão bem mais rápida, levando à morte em 2 anos, ao invés de 10 anos em média. Primeiros sintomas de qualquer um dos tipos: esquecimento para fatos novos, dificuldade para reconhecer pessoas, dificuldade para fazer caminhos que antes eram familiares. Dra. Paula.

Descobrimos que meu pai (65 anos) está com Alzheimer na fase inicial. O neurologista fez o diagnóstico através de vários exames, dentre eles perfusão cerebral, por exclusão e pelos sintomas que ele apresenta (desorientação espacial, perda da memória recente, tendência a apatia/Depressão). Ele começou o tratamento em agosto e toma Exelon 1,5 mg após o café da manhã e após o jantar, há três meses. Desde então, tenho percebido que meu pai está mais equilibrado, embora os sintomas continuem, principalmente a perda da memória recente. Sei que é uma doença incurável e os remédios só servem para retardar as fases mais avançadas. Meu pai tem uma boa saúde, só tem pressão alta há muitos anos, mas dorme bem, se alimenta bem, e fazemos caminhadas tb. Vc acha que com todos esses cuidados a doença pode demorar mais para avançar? Vc acha que o Exelon é uma boa droga para combater o Alzheimer? Minha avó e meu tio faleceram e os dois tiveram mal de Parkinson. Será que meu pai pode desenvolver o mal de Parkinson além do Alzheimer? Agradeço a atenção e aguardo a resposta.

Acredito que seu pai esteja sendo tratado de forma adequada. De fato o que os remédios podem fazer é retardar a progressão da doença. O Exelon está entre as medicações de primeira escolha para o tratamento de Alzheimer, em doses que vão até 12mg/d de acordo com a tolerância do paciente. Esta doença não tem relação direta com Parkinson. Dra. Paula Nunes.

Tenho 32 anos, e já há alguns anos, sofro de Depressão e, gostaria que se possível, você me esclarecesse uma coisa: -- Uma pessoa com Depressão muito intensa, pode vir a apresentar sintomas de Demência, com perda de memória recente, dificuldade pra acompanhar reportagens de telejornais, entender o que as pessoas falam, e coisa do tipo? Gostaria de agradecer desde já a atenção dada.

Certamente sim, tratando a Depressão, estes sintomas devem melhorar. Dra. Paula Nunes.

Gostaria de saber qual é em termos leigos o efeito dos antidepressivos no mal de Alzheimer. Minha mãe está com 91 anos tem também esclerose (segundo a geriatra interpretou a tomografia). Agora ela receitou além da Fluoxetina, também Trazodona, que não encontrei no site de vocês. O sintoma mais difícil de lidar está sendo a perambulação, pior agora que ela sofreu fratura de fêmur e não tem condições de caminhar normalmente, mas já consegue levantar-se com apoio, correndo risco de sofrer algum trauma físico.

O antidepressivo ajuda em sintomas como tristeza e falta de vontade, muito comuns na doença de Alzheimer. Vale a pena conversar com a geriatra que trata da sua mãe sobre alternativas terapêuticas para lidar com este problema de "perambulação" já que parece estar implicando em riscos para sua mãe. Dra. Paula Nunes

Minha avó vai fazer este mês 81 anos e é gritante a diferença dela há apenas um ano atrás, na festa de 80 anos ela chegou a andar de tirolesa, estava super disposta e com a memória ótima. Mas há alguns meses, nos percebemos que ela estava muito quieta, se demonstrava cansada com facilidade e não saia mais com tanta freqüência (ela costumava sair sozinha para São Paulo, na casa dos parentes, etc) e quando fomos questioná-la do porque disso, ela tb. nos disse que não tem mais apetite, não come quase nada, então resolvi marcar consulta em um Geriatra, a médica achou que era uma depressão, passou um antidepressivo e uma vitamina. Neste final de semana, do dia das mães, nós achamos ela com muita dificuldade para andar e muito quieta e ele se esqueceu de dois fatos que tinham acontecido naquele mesmo dia, então fui conversar com a minha prima (que mora com ela) e ela disse que ultimamente a Vó tem feito algumas coisas desse tipo, por. ex. minha prima avisa que vai dormir na irmã e ela esquece, entre outras coisas. Será que pode der o mal de Alzheimer? Como é feito este diagnóstico?? Ela não tem convênio, então eu queria saber em qual especialista é melhor eu levar, no Geriatra ou no Neuro? Esses sintomas podem ser por causa do antidepressivo que ela esta tomando??

Pode ser depressão uma vez que quadros depressivos intensos podem cursar com comprometimento de memória, pode ser uma depressão antecedendo um quadro de Alzheimer. Antidepressivos podem demorar algumas semanas para fazer efeito. Normalmente os antidepressivos não atrapalham a memória, mas vale a pena avaliar o caso individualmente; quando existe acometimento de memória, antidepressivos com poucos efeitos anticolinérgicos são os mais indicados. O melhor profissional para avaliar este quadro é o psiquiatra, neurologista ou geriatra desde que esteja familiarizado com este problema. Dra. Paula Nunes

... meu pai esta com mal de Alzheimer, queria saber se é normal a pessoa ir atrofiando os braços e as pernas, e esta com muita dificuldade para engolir os medicamentos e alimentos. Queria saber se ele sente dor.

Uma pessoa com Alzheimer, em estágio avançado pode passar a ter dificuldades motoras e a musculatura acaba atrofiando por falta de uso e falta de estímulo vindo do cérebro. A dor está presente, normalmente. Dra. Paula

Meu pai, de 83 anos, está c/ DA, segundo resultado de tomografias realizadas.No início apenas esquecia algumas coisas, c/ a morte da minha mãe, há 3 anos atrás, ficou depressivo, tomou Sertralina, melhorou. Mas continuava c/ os esquecimentos. Para ser breve, todos os sintomas apresentados levou ao diagnóstico de DA. A piora veio como um furacão, em apenas 8 meses, se agravou e muito o quadro. Ele tornou-se agressivo, achava que eu era minha mãe e que o traía c/ meu marido que, para ele, era um cunhado da minha mãe. Comecei a ficar estressada, pois não sabia como lidar. Após duas agressões a minha pessoa, por ciúmes imaginário, conversei c/ minha irmã e c/ o médico dele. O médico nos orientou que o internasse numa clínica de repouso, eu era contra, mas como cuidava dele sozinha, não agüentei, foram inúmeras noites acordada, pois ele queria matar meus filhos achando que era ladrões. O médico disse que poderia acontecer uma desgraça e nessa fase agressiva o melhor seria internar. Assim o fizemos. Há 1 mês e meio ele está numa clínica de repouso, mais calmo, porem quer ir embora, mas se está em casa também quer ir embora. Quando vou visitá-lo, me reconhece, mas logo depois fala coisas que não tem nada a ver. Os assuntos não tem coerência. O médico da clínica achou melhor suspender o Exelon, pois alegou que não ajudaria muito continuar tomando. Enfim...o que fazer? Paro de mandar o Exelon p/ a clínica? Devo tirá-lo da clínica? Ou devo esperar que ele se acalme um pouco, pois me disseram que depois vem uma fase de "inércia" , é verdade? Estou super desorientava, acho que é porque não aceito muito ele estar numa clínica de repouso...nem sei mais o que pensar. Por favor, me oriente.

O Exelon ainda pode ser útil no estágio da doença do seu pai. Pelo que entendi, você colocou-o na clínica pois não estava dando conta de mantê-lo em casa, não é verdade? Em alguns casos, a pessoa passa a ficar mais apática e o trabalho que dá é diferente, muitas vezes deixam de dar conta dos cuidados pessoais tais como alimentação ou banho. O médico do seu pai deve ser alguém em quem você confia e possa tirar mais dúvidas. Dra. Paula.

Meu pai tem 64 anos e há 4 foi descoberto que tem Alzheimer, vem sendo tratado neste com um remédio chamado Exelon que já está com fórmula mais alta que tem. Só que de uns meses para cá ele vem tendo fortes alucinações durante a noite chegando a não nos conhecer e ficando violento; depois no outro dia acorda melhor e não se lembra de nada. O medico dele simplesmente fala que isto e comum ao Alzheimer, não seria o caso de ministrar um remédio específico para este tipo de psicose?

Na maioria dos casos de Alzheimer uma medicação específica pode ser muito útil não só para o paciente mas também para diminuir o desgaste da família.

Depoimento: ... tem Alzheimer há aproximadamente 6 anos, já não anda, não se alimenta sozinha e só alimentos pastosos e já usa fraldas a uns dois anos, precisa estar sempre assessorada por alguém. Quando ainda andava, caiu e quebrou o fêmur e teve que colocar um implante, sua recuperação foi rápida e este foi o único problema de saúde que teve até hoje. O nosso maior problema é que ela grita o tempo todo, tem alucinações e muita agressividade. Algumas vezes ela passa o dia, a noite e o dia gritando sem parar independente da medicação. Ela toma remédios para pressão, Risperdal e Melleril. Ela está com 89 anos.

Já me trato de distúrbio bipolar há três anos e utilizo a medicação DEPAKOTE 500 mg. Li em um jornal sobre saúde que essa doença pode causar degeneração cerebral progressiva, similar à que ocorre no mal de Alzheimer. Gostaria de saber se essa informação tem fundamento científico. A reportagem faz menção à doses de uma substância no hipotálamo, que seriam baixas nos casos dessas patologias

Não se preocupe. Não existe nenhuma indicação disso até hoje.

Meu pai tem 81 anos alcoólatra. No começo, em 2001, eram surtos psicóticos como perseguição, ouvia vozes, etc. Agora A tomografia acusou lesão cerebral grave. Ele ainda reconhece os parentes próximos, mas pouco fala. Anda com muita dificuldade. Tomou Risperdal e Dormonid durante dois anos. Agora sem esses medicamentos está a mesma coisa de quando tomava. Tem surtos psicóticos, mas na maioria do tempo está calado ou sorrindo. atualmente está numa clínica de repouso pois já sofreu duas quedas em casa e fica furioso se limitam seu espaço de andar constante. É Alzheimer ou Demência alcoólica? O remédio Exelon é indicado? Ele sofre com a ausência da família?

Sem vê-lo não dá para dizer. Mas o tratamento que deve ser tentado é o mesmo, portanto ... Exelon é uma das boas opções sim. Se ele não se lembra mais da família, não.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Valor á vida


"A vida não acaba pela quantidade de anos e sim pela qualidade dele"

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Cada marca no meu rosto é da longa caminhada que fiz em vida.

"Tenha sempre presente que a pele se enruga, o cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos...Mas o que é importante não muda... a tua força e convicção não tem idade. O teu espírito é como qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida." [ Madre Teresa de Calcutá ]

sábado, 13 de junho de 2009

Cuidados com a Medicaçãopara portadores de Alzheimer

A.Tratamento dos sintomas de comportamento: agitação, ansiedade, depressão, alucinações, confusão e insônia.

Antes do uso de qualquer medicamento deve-se fazer um levantamento sobre os possíveis fatores ambientais ou físicos desencadeadores como:

* mudança no ambiente,
* novas doenças,
* trocas de cuidador,
* novos medicamentos,
* evitar essas circunstâncias desencadeadoras, oferecer distração e dar apoio.

Para tratar as consequências mais difíceis de comportamento, como agitação, insônia e paranóia há várias drogas disponíveis que variam de agentes com propriedades sedativas leves a neurolépticos. Quando a medicação é necessária deve-se usá-la na menor dose possível e pelo tempo estritamente necessário, pois muitos dos medicamentos para controle de agitação e agressividade podem piorar a confusão mental ou deixar a pessoa rígida, trazendo dificuldades para a movimentação.

Os neurolépticos (ou antipsicóticos) são usados para tratar manifestações psicóticas (alucinações e delírios) de doenças psiquiátricas, como esquizofrenia, e também podem reduzir a agitação inespecífica e o comportamento agressivo.

O efeito antipsicótico das drogas é atribuído à sua ação bloqueadora de dopamina, mas elas também têm propriedades anticolinérgicas.Essas drogas são subdivididas em drogas de alta, média ou baixa potência.Quanto maior a potência de um agente neuroléptico, menor sua atividade anticolinérgica, por isso os neurolépticos de alta potência são geralmente prescritos a pacientes com doença de Alzheimer.

O efeito neuroléptico no paciente com doença de Alzheimer é imprevisível, pois o comportamento pode melhorar ou piorar, sendo possível ocorrer sedação exarcebada e mais confusão.Os efeitos tóxicos, principalmente os sintomas parkinsonianos podem ocorrer com qualquer dose.

B.Tratamento dos sintomas cognitivos: visa melhorar a deficiência de memória, corrigindo o desequilíbrio químico do cérebro.

- Inibidores da acetilcolinesterase: Como os portadores da doença de Alzheimer possuem níveis reduzidos de acetilcolina, um modo de controlar o problema é evitar que a pequena quantidade de acetilcolina produzida seja degradada pela enzima responsável pela sua destruição, impedindo a ação da enzima através dos seus inibidores.

Os pacientes que respondem aos inibidores da acetilcolinesterase podem manter ou mesmo melhorar a função cognitiva durante um período significativo, porém alguns pacientes não respondem à inibição da acetilcolinesterase.

Os inibidores têm efeito sintomático discreto sobre a cognição, contudo apresentam efeitos colaterais, resultantes da hiperativação colinérgica periférica: gastrintestinais, cardiovasculares e outros.

É possível aumentar a atividade da acetilcolina por várias vias e a inibição da enzima que quebra a acetilcolina é apenas uma das formas. Outras incluem aumentar-se a liberação de acetilcolina e estimular diretamente os receptores da acetilcolina. Essas outras vias estão em estudo.

C. Outras modalidades de tratamento em estudo

- Reposição hormonal com estrógeno

O estrógeno, além dos seus efeitos no trato reprodutivo da mulher, no sistema cardiovascular e na estrutura óssea, já demonstrou ter efeitos importantes nas células cerebrais. Há evidências de que promova a sobrevivência das células cerebrais e que também possa beneficiar ligeiramente o processo cognitivo.

-Antioxidantes, em especial a vitamina E

Segundo a teoria dos radicais livres no processo de envelhecimento, várias manifestações de declínio funcional e doenças relacionadas à idade são causadas por um excesso de radicais livres em vários tecidos.

Existem evidências de que o dano causado pelos radicais livres contribui para as lesões nos tecidos cerebrais encontradas na doença de Alzheimer.

Os antioxidantes combatem os radicais livres. Estudos recentes têm investigado a eficácia da suplementação da vitamina E e outras medicações com propriedades antioxidantes na lentificação da evolução da doença. Os resultados são encorajadores.

-Agentes fitoterápicos, como o ginkgo biloba

Na literatura médica existe também o relato de um estudo controlado sobre a formulação específica de ginkgo biloba. Parece que há um pequeno benefício nos processos cognitivos associados ao uso de ginkgo, quando comparado ao placebo. É importante ressaltar, contudo, que as preparações de ginkgo encontradas nas lojas de produtos naturais podem ser bem diferentes daquela formulação utilizada nesse estudo.

-Anti-inflamatórios

Os pacientes com doença de Alzheimer apresentam alterações associadas à inflamação e à função do sistema imunológico, que podem representar um reflexo da atividade inflamatória do cérebro.

A questão é se a inflamação está contribuindo para o fenômeno de deteriorização das células cerebrais ou se isso é só uma reação às placas e emaranhados que, de fato, não causa qualquer malefício.

No entanto, há motivos para vários pesquisadores estarem otimistas quanto à possibilidade de a supressão da inflamação cerebral com drogas trazer benefícios importantes em relação à doença de Alzheimer.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Iatrogênia

Iatrogenia é o efeito deletério que causa a um paciente determinada ação ou prescrição de profissional de saúde médico ou não médico. Dentre as principais causas de iatrogenia está a prescrição indevida de medicamentos, tendo em vista o grande desconhecimento, dentro da propria classe médica, do mecanismo de ação das drogas, efeitos colaterais e interações medicamentosas dos medicamentos.

A biologia do corpo idoso difere dos demais e é necessário um conhecimento amplo de toda a farmacodinâmica ao se prescrever medicamentos ao idosos.A metabolização hepática dos medicamentos e a excreção renal está diminuida nos idosos, por exemplo.

Outro grande exemplo de iatrogenia é a polifarmácia, que é descrita como o ato de prescrever vários medicamentos a um mesmo paciente, com listas que chegam até a 15 medicamentos diferentes por paciente, fora o que observamos no dia a dia, a prescrição de vários medicamentos sem comprovação cientifica alguma que apenas aumentam a lista de medicamentos e os gastos dos já combalidos bolsos dos idosos.

O idoso deve ser acompanhado e tratado da mesma forma que leva a sua propria via: devagar, gradualmente. Não há como se resolver todas as demandas clínicas apresentadas pelos idosos em uma consulta, com apenas uma enorme lista de medicamentos. Isto não é Geriatria! Dificilmente um médico que não seja Geriatra tenha esta noção.fonte: geriatria em casa

O mal que se chama Alzheimer

http://www.youtube.com/watch?v=4i2NBoOo0Z8

Antidepressivos,estabilazadores do humor e a cognição dos Portadores de D.A

os antidepressivos devem ser considerados para o tratamento de depressão, atentando para o perfil de cada um (norma).

Alguns estabilizadores de humor do grupo dos anticonvulsivantes já contam com estudos que mostram que podem ser utilizados para comportamentos agitados na demência geralmente na demência de Alzheimer

os neurolépticos atipicos, incivivos e sedativos tem mostado uma melhora signignificativa nos tarnstornos do Alzheimr ,já que a cura ainda sendo pesquizada e mostraram eficácia na prevenção do aparecimento ou no controle de alguns SCPD (apatia, irritabilidade, comportamento motor aberrante e a psicose) (opção prática).


TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DO COMPROMETIMENTO COGNITIVO

As intervenções de reabilitação cognitiva na DA deparam-se com dificuldades, como heterogeneidade de pacientes quanto às alterações cognitivas, comportamentais e familiares, progressão da doença, colaboração dos cuidadores. Diferentes abordagens têm sido experimentadas, principalmente treinamento cognitivo de habilidades específicas e técnicas gerais.

A reabilitação da memória conta com duas diferentes técnicas: a orientação para realidade, que tem mostrado eficácia na orientação e memória pessoal, embora com pouca melhora nas habilidades funcionais, cotidianas, e a terapia de reminiscências, que parece ter resultados menores na cognição, com escassos trabalhos bem estruturados e evidências insuficientes sobre sua eficácia88. Técnicas de facilitação da memória explícita em pacientes com DA leve podem ser bem sucedidas através de estímulos multimodais, com carga emocional, com auxílio na criação de códigos semânticos autogerados pelo paciente ou por ativação de tarefas ou eventos previamente aprendidos. Aprendizado com a utilização da memória implícita preservada parece ser útil em pacientes com quadros leves a moderados, por meio de técnicas de pré-ativação (priming) e de memória de procedimento. Podem ser realizados por meio da técnica de ensaio progressivo (expanding rehearsal technique) com resultados positivos, porém sem generalização; método das pistas evanescentes (method of vanishing cues)88,89; aprendizado sem erro (errorless learning) em que casos isolados ou em número reduzido são relatados na DA90. Estudo randomizado comparando dois programas de treinamento com memória de procedimento e treinamento de funções cognitivas preservadas mostrou melhora nas atividades de vida diária no grupo com treinamento das atividades diárias91-93.

Os auxílios mnemônicos externos (calendários, diários, cadernos de memória) são estratégias da reabilitação que necessitam de estudos bem controlados em DA, havendo evidências que parecem apontar na melhora do funcionamento dos pacientes90,94.

Dois trabalhos publicados recentemente no Brasil demonstraram efeitos positivos da reabilitação, tendendo à relativa estabilização da progressão da DA, em pacientes em uso de anticolinesterásicos95,96.

Conclusão – A reabilitação cognitiva parece estabilizar o quadro por períodos variáveis em indivíduos com DA de gravidade leve a moderada. A aprendizagem sem erro e uso de técnicas que utilizem a memória de procedimento parecem ser mais adequadas. O treinamento cognitivo de habilidades específicas não se generaliza para a vida diária, devendo-se utilizar tarefas que possam ser adaptadas pelos cuidadores no dia a dia do paciente.

A sua associação à medicação que visa melhorar a cognição (IChEs) poderia levar a melhores resultados.

Recomendações/sugestões

As técnicas de reabilitação cognitiva podem ser indicadas, considerando que existem evidências de sua eficácia em pacientes com DA de gravidade leve a moderada (norma).

O treinamento cognitivo de habilidades específicas (memória, linguagem) pode ser útil (norma).

Algumas técnicas visando melhoras nas atividades de vida diária podem ser indicadas (norma).

terça-feira, 9 de junho de 2009

Curso e evolução da esquizofrênia

Embora a tendência de deterioração tenha sido a característica definidora da Demência Precoce para Kraepelin, este reconhecia que 13% dos seus pacientes se recuperavam do estado agudo. Mayer Gross e col, há mais de 20 anos, afirmavam que as condições agrupadas sob o termo Esquizofrenia estavam associadas à uma tendência geral para desintegração da personalidade, sublinhando a inclinação para um resultado desfavorável no curso da doença.

Suas minuciosas observações levaram-no a reconhecer que esquizofrênico poderia ficar decididamente pior até que, depois de alguns anos, apresentaria uma deterioração de tal forma que jamais pudesse deixar o hospital ou, por outro lado, que o processo da doença poderia chegar à um ponto morto, deixando um defeito de personalidade desde leve, subclínico até grave.

Mesmo assim Mayer-Gross reconhecia que, freqüentemente, o defeito não era tão grave ao ponto de impedir o paciente de partilhar a vida na comunidade, mas em geral reduzia sua capacidade de trabalho e de gozar a vida completamente.

São também de Mayer-Gross as observações de que a cicatriz da personalidade pode manter-se estacionária ou progredir muito lentamente, mostrando que o processo da doença nunca para completamente.

Constatou que um segundo ataque da doença, depois de alguns ou muitos anos, poderia obrigar a readmissão no hospital, talvez para sempre.Sobre o curso da Esquizofrenia, dizia que a doença pode mostrar agravamento e remissões desde o início e que tais flutuações podem continuar pela vida afora, mas isso é raro. Via de regra, achava que mesmo o paciente ficando bom no primeiro e segundo surtos, no terceiro a perspectiva de recuperação ficava muito reduzida.

Observações de Mayer-Gross baseadas em amostras de pacientes antes do advento do tratamento biológico para esquizofrenia resultaram na constatação de que as perspectivas de remissão espontânea duradoura são maiores durante os dois primeiros anos da doença. Após 5 anos de doença contínua essas possibilidades se tornam desprezíveis.

As evidências sugeriam que a cada surto sucessivo da doença as chances de danos permanentes aumentavam e que após a terceira recaída a chance de remissão tornava-se menor.

Esta visão clássica sobre o curso e evolução da esquizofrenia é ainda prevalente na psiquiatria. As pesquisas da década de 90 não mostram diferenças muito significativas daquelas de Mayer-Gross. Nos anos 70 foram publicados 3 trabalhos que estudaram o curso da esquizofrenia a longo prazo (por mais de 20 anos).

As principais conclusões que podem ser tiradas desses trabalhos podem ser resumidas da seguinte maneira:

1- Não existe um curso típico ou próprio para a Psicose Esquizofrênica. Talvez o mais característico da esquizofrenia seja, exatamente, a grande variabilidade de cursos encontrados, independentemente da sintomatologia apresentada no início da doença. Dois grupos de pesquisas (Manfred Bleuler e Ciompi & Müller) conseguiram sistematizar oito cursos possíveis para a esquizofrenia. Huber e cols. apresentaram 12 cursos como os mais freqüentes. Com essa variedade não há como estabelecer-se um determinado modelo de curso que possa ser considerado característico da doença.

2- Apesar da diversidade de cursos que a Psicose Esquizofrênica pode seguir, a tão comentada tendência inexorável no sentido de uma deterioração progressiva das faculdades mentais não foi verificada em nenhum desses trabalhos. Ao contrário, apesar de remissões e reagudizações, o mais freqüente era que, após 5 anos de evolução se observasse uma tendência a estabilização.

Em nenhum trabalho observou-se tendência dos esquizofrênicos idosos de desenvolverem síndromes demenciais propriamente ditas, com característica psicorgânicas, como já havia sido suspeitado há tempos.

3- Nos três estudos houve uma tendência a se atingir um estado de relativa estabilização. A este estado, digamos, estacionário que a esquizofrenia apresentava depois de algum tempo, Bleuler denominou de "end state". Bleuler tomou o cuidado de colocar o termo "end state" entre aspas por não se tratar, absolutamente, de uma situação irreversível imutável.

O termo "end state" teve grande aceitação. Foram propostos 4 tipos de "end state"; 1- grave; 2- moderado; 3- leve e; 4- "recuperado". Por recuperação entendia-se os quadros com remissão completa da sintomatologia e os estado psicopatológicos remanescentes muito sutis e discretos. estes últimos só seriam percebidos por um psiquiatra treinado e não chegavam a influenciar em nada a vida cotidiana (profissional e familiar) dos pacientes.

Hipotensão Ortostática

Resenha

circulação cerebralA hipotensão ortostática (HO) é conceituada como a redução maior que 20 mmHg da queda da pressão arterial sistólica quando o indivíduo se põe de pé, que cause sintomas. Ocorre em aproximadamente 30% dos idosos, sendo causa de quedas e suas conseqüências.

Quando a pessoa assume a posição em pé 500 a 900 ml de sangue são seqüestrados nas pernas e na circulação abdominal (vísceras), o que determina redução do retorno do sangue ao coração, menor débito cardíaco e, como conseqüência, estimulação de receptores de pressão (barorreceptores) aórtico e carotídeos, com ativação do sistema simpático e inibição do sistema parassimpático. Esse mecanismo determina aumento da freqüência cardíaca e da resistência vascular periférica (vasoconstricção), mantendo a pressão arterial nos valores normais. Quando ocorre esta queda da PA diminui o fluxo cerebral (figura - artérias cerebrais) levando aos sintomas de vertigem ou tonturas, visão turva ou em túnel, dor ou desconforto na região occipital ou atrás do pescoço.

Sua manifestação pode se dar de forma aguda como em síndromes paroxísticas, podendo ser atribuída a uma exacerbação do sistema nervoso parassimpático e deficiência do simpático e na sua forma crônica devido a um desregulação do sistema nervoso autônomo (disautonomias) como na diabetes, ou a outras causas (simpatotonicas).

Os fatores mais comuns que causam hipotensão ortostática são: primeira refeição, subir rampa ou escadas, hiperventilação, febre, temperatura ambiental elevada.

A hipotensão pós-prandial muitas vezes coexiste com a hipotensão postural, sendo devido ao maior “sequestro” de sangue na circulação esplâncnica nos 90 minutos que seguem uma refeição copiosa.

O teste utilizado não só para o diagnóstico como também para avaliar a evolução é o teste “standing time”, que o tempo em que o indivíduo, partindo da posição supina, pode permanecer de pé e imóvel até o início dos sintomas. Quando o indivíduo e capaz de permanecer nesta posição por mais de três minutos, sem sintomas, considera-se que sua pressão se estabilizou. Veja mais

Etiologias

O papel do geriatra

Até meados do século XX predominava a visão paternalista da medicina e a regra era ocultar o diagnóstico de doenças graves. Estudo publicado por Oken em 1961 revelou que 90% dos médicos não tinham o hábito de informar o diagnóstico de câncer a seus pacientes. No entanto, uma mudança importante tem ocorrido nas últimas décadas, no sentido de respeitar e incentivar a autonomia do paciente.

Estudo brasileiro recente (Trindade ES e cols, 2007) mostrou que 97,4% dos especialistas da área de oncologia revelam o diagnóstico de câncer ao próprio paciente “sempre” ou “freqüentemente”. Essa atitude parece estar de acordo com o desejo dos pacientes de um grande centro oncológico de São Paulo, onde 95% responderam que gostariam de saber se têm câncer e 89% gostariam de conhecer o prognóstico (Pinto NR e cols, 2004). Mas se por um lado a mudança de atitudes é notável nos cuidados oferecidos ao paciente com câncer, esse progresso parece não ocorrer com a mesma velocidade no atendimento do paciente com demência.

As diretrizes da American Medical Association recomendam que o diagnóstico de demência seja revelado diretamente ao paciente sempre que possível (Guttman and Seleski, 1999). De forma semelhante, a principal associação americana de pacientes e cuidadores, a Alzheimer’s Association, recomenda enfaticamente que, exceto em circunstâncias incomuns, o médico deve revelar o diagnóstico ao paciente, permitindo sua participação ativa no tratamento e no planejamento das decisões relativas ao fim da vida.

Em estudo prospectivo recente, Carpenter BS e cols (JAGS 2008) concluem que a tomada de conhecimento dos diagnósticos de comprometimento cognitivo leve e demência não causa reações catastróficas e não está associada ao aparecimento de sintomas depressivos. O que se observa, na verdade, é uma redução significativa dos sintomas de ansiedade após o conhecimento do diagnóstico.

Apesar das evidências e recomendações, a prática diária nos permite observar que grande parte dos pacientes não recebe o diagnóstico de demência ou o recebe através de eufemismos como “esquecimento” ou “problema de memória”. Infelizmente isso ainda acontece mesmo entre os indivíduos com déficit mais leve, que teriam capacidade plena de compreender o diagnóstico e antecipar decisões.

O ESTUDO

No trabalho do Grupo de Neurologia Cognitiva da FMUSP um questionário foi enviado a 970 médicos – neurologistas, psiquiatras e geriatras. Dos 206 médicos que responderam a pesquisa, 25 foram excluídos por não atenderem regularmente pacientes com doença de Alzheimer, restando um total de 181 participantes.

Apenas 44,75% dos especialistas informam o diagnóstico de Alzheimer ao paciente “geralmente” ou “sempre”, sendo que 14,4% o fazem com uso de eufemismos. De forma interessante, 76,8% dos médicos gostariam de conhecer o diagnóstico caso eles próprios desenvolvessem a doença.

Na análise por especialidades, verifica-se que os geriatras dessa amostra revelam o diagnóstico com menor freqüência – apenas 27,5% têm esse hábito, contrastando com 39,4% dos neurologistas e 58,7% dos psiquiatras. Mas quando as três especialidades são comparadas simultaneamente através de análise de variância pelo ANOVA, não se encontra diferença estatisticamente significante entre os três grupos (p=0,17).

Quando os geriatras são questionados sobre os principais motivos que justificariam o ocultamento do diagnóstico, o fator mais apontado é a visão dos familiares sobre o assunto (80%), ficando claro que valorizam a opinião dos familiares mais do que a do próprio paciente.

VALIDADE INTERNA

Comentário de Alini Maria Orathes Ponte Silva (E2)

O artigo é bastante interessante, pois avalia a prática do profissional sobre revelar ou não o diagnóstico diretamente ao paciente portador demência. O resultado impressiona – apenas 45% dos especialistas informam o indivíduo sobre sua doença. Entretanto, esse valor ainda é superior ao encontrado na literatura. Johnson, em 2000, mostrou um índice de 40% entre os profissionais britânicos. Alguns motivos que podem explicar esse fato: os médicos entrevistados são especialistas vinculados a sociedades e exercem a profissão em grandes centros urbanos, o que por si só já implica um viés de seleção. Essa condição não reflete de maneira alguma a realidade do atendimento médico a população brasileira.

Além disso, o modelo do questionário aplicado, com respostas já formuladas no formato de múltipla escolha, tende a induzir o participante a uma determinada reposta e pode não refletir o que ele realmente pensa.

Interessante observar que os geriatras consideram a gravidade da demência e, principalmente, a opinião do cuidador para não revelar o diagnóstico. Não houve diferença no padrão de respostas entre os neurologistas, psiquiatras e geriatras, dando a impressão de que a abordagem do paciente com demência seria a mesma nestas diferentes especialidades.

VALIDADE EXTERNA

Comentário de Dra. Lilian Schafirovits Morillo

Fica claro que ainda somos paternalistas em relação aos dementados como éramos, no passado, em relação aos doentes com câncer. Creio que mesmo nós, geriatras, ainda sofremos do preconceito da idade e olhamos para o nosso paciente como alguém incapaz de suportar más notícias e de tomar as decisões com autonomia e independência. Influenciados freqüentemente pelo temor dos familiares, muitas vezes não temos subsídios para tomar nossa própria decisão de revelar ou não o diagnóstico. Estudos mostram que este temor de reações catastróficas, depressão e piora da esperança e motivação não se justifica no caso dos portadores de câncer.

Encontrei na literatura alguns estudos que abordaram os próprios pacientes quanto à sua preferência em ter revelado ou não seu diagnóstico se este for câncer ou demência, quando de sua entrada em serviço de emergência para tratamentos vários. Estudos publicados pela CHEST e pelo American Journal of Medicine, com pacientes idosos. Nestes e em 3 outros, o que se encontrou foi que 70 a 85% deles prefeririam saber o diagnóstico.

Todos os autores encorajam que tais estudos sejam reproduzidos em diferentes países pelas óbvias diferenças culturais e sugerem que esta informação seja anexada ao prontuário e sirva de base para o médico, quando for necessário.

Quem se habilita? Pode dar uma interessantíssima monografia!

domingo, 7 de junho de 2009

Delirium no Alzheimer

O Delirium consiste de uma perturbação da consciência acompanhada por uma alteração na cognição, a qual não pode ser atribuída a alguma Demência preexistente ou em evolução (DSM.IV). O Delirium é uma síndrome clínica e orgânica de etiologia múltipla e freqüentemente mal diagnosticada. Trata-se, o Delirium, de uma emergência médica verdadeira, comumente interpretado erroneamente como demência ou como psicose funcional, erro este capaz de obscurecer o diagnóstico de um sério distúrbio físico ou tóxico subjacente.
O Delirium, por se tratar de um sério problema de saúde de conseqüência significativa e freqüentemente experimentado por muitos pacientes idosos, principalmente quando hospitalizados, deve merecer sempre uma especial atenção dos médicos generalistas. Devido à sua habitual e potencial reversibilidade clínica, o tratamento do Delirium é uma atitude médica essencial.
Tendo em vista o fato do Delirium ser uma conseqüência fisiológica direta de uma condição clínica e orgânica geral, Intoxicação ou Abstinência de Substância, uso de medicamento ou exposição à toxinas, ou uma combinação desses fatores, sua abordagem não deve, absolutamente, ser monopólio da psiquiatria.
Segundo Inouye, o Delirium ocorre entre 10 e 60% dos idosos hospitalizados e não é diagnosticado corretamente 32 a 66% dos casos.

Características Neuropsíquicas
O Delirium pode ser considerado como uma síndrome de disfunção cerebral generalizada. Os avanços em neuropsiquiatria têm revelado algumas importantes diferenças entre as várias regiões do cérebro, incluindo as diferenças entre os hemisférios, as quais podem justificar a constelação dos sintomas entre os diferentes transtornos psiquiátricos.

Diferentes vias neuronais estão envolvidas na depressão, no transtorno obsessivo-compulsivo, etc. Trzepacz propõe que o Delirium envolve vias neuronais particulares e sua lateralização no hemisfério direito pode ser relevante. Os estudos de neuroimagem estruturais e funcionais, bem como os estudos neuropsicológicos recentes endossam esta lateralização.

O córtex pré-frontal direito, o tálamo anterior direito e o córtex têmporo-parietal basilar direito podem ter um papel significativo no desenvolvimento do Delirium decorrente de uma grande variedade de etiologias. Esta via neuronal particular final pode ser a responsável por determinados sintomas do Delirium, tais como pela desorientação, pelo déficit cognitivo, pelas alterações do ciclo sono-vigília, pelo pensamento desorganizado e pelas alterações da linguagem. Outros sintomas, como é o caso das alucinações, ilusões e labilidade afetiva podem depender da causa do Delirium. Um desequilíbrio nos sistemas colinérgico e dopaminérgico geralmente também está implicado no desenvolvimento do Delirium.

O Delirium costuma se desenvolver agudamente, geralmente em horas ou poucos dias, tendendo a flutuar de intensidade ao longo do período. A alteração da consciência no Delirium se manifesta por uma significativa redução da clareza da consciência em relação ao ambiente. Está seriamente prejudicada a capacidade para focalizar, manter ou deslocar a atenção.

Durante o exame clínico do paciente com Delirium, tendo em vista a atenção do paciente estar totalmente dispersa, há necessidade das perguntas serem repetidas várias vezes em alto e bom som. Pode ser muito difícil engajar o paciente numa conversação normal.

Se a atenção e consciência estão alteradas, há também uma alteração concomitante na cognição, a qual pode incluir o comprometimento da memória, desorientação ou perturbação da linguagem, assim como pode desenvolver-se uma perturbação da percepção (critério do DSM.IV).

O comprometimento da memória é evidente no Delirium, acometendo com maior freqüência a memória recente. Neste caso a semiologia consta em pedir que o paciente memorize vários objetos sem relação entre si ou uma frase curta e os repita após alguns minutos de distração.

A desorientação habitualmente se manifesta por desorientação temporal, quando então o paciente confunde a manhã, a tarde e a noite, ou espacial, com dificuldades dele saber se esta em casa, no hospital, etc. No Delirium leve, a desorientação temporal pode ser o primeiro sintoma a aparecer.

A perturbação na linguagem pode se evidenciar com disnomia, isto é, um prejuízo na capacidade de nomear objetos, ou disgrafia, o prejuízo na capacidade de escrever. Em alguns casos, o discurso é dispersivo e irrelevante, outras vezes é compulsivo e incoerente, com mudanças imprevisíveis de assunto.

As perturbações na cognição podem incluir interpretações errôneas da realidade, ilusões ou alucinações. Essas alterações da sensopercepção podem fazer com que qualquer som possa ser interpretado como um tiro, as dobras nas roupas podem parecer-lhe objetos animados, o paciente pode ainda ver um grupo de pessoas pairando sobre a cama (oniróide). A flutuação do quadro, relatado acima, faz com que o paciente se mostre coerente durante o dia mas, à noite, insiste em voltar à casa dos pais já falecidos.

O Delirium freqüentemente está associado a uma perturbação do sono, a qual pode incluir sonolência diurna ou agitação noturna, caracterizando assim uma inversão do ciclo de sono-vigília. O Delirium também é freqüentemente acompanhado por alteração psicomotora, com inquietação ou hiperatividade. Esse aumento da atividade psicomotora pode incluir o ato de tatear ou manusear as roupas de cama e tentar sair da cama quando isto é inseguro, retirada do equipo de soro, etc.

Há ainda a possibilidade do paciente apresentar redução da atividade psicomotora, com lentidão e letargia que se aproxima do estupor catatônico. Assim sendo, a atividade psicomotora poderá oscilar de um extremo a outro no decorrer do dia mas, a maioria dos casos costumam ser do tipo misto (46%), enquanto apenas 24% são Hipoativos e 30% Hiperativos. A incidência difere entre os três subtipos motores, sendo mais freqüente o Delirium misto em todas as pesquisas. Quanto aos tipos Hipo e Hiperativo os dados diferem um pouco entre autores. Okeeffe, por exemplo, encontrou 21% de Hiperativos contra 29% Hipo.

Na esfera emocional o paciente pode apresentar excesso de ansiedade, medo, depressão, irritabilidade, raiva, euforia e apatia. Podem ocorrer rápidas e imprevisíveis mudanças de um estado emocional para outro. O medo freqüentemente acompanha as alucinações ameaçadoras ou os delírios. Pode haver ferimentos por quedas do leito ou por tentativas de escapar das falsas ameaças.

O estado emocional perturbado dos pacientes com Delirium também pode se manifestar por comportamentos esdrúxulos, como por exemplo, por chamados continuados, gritos, palavrões, gemidos, resmungos ou outros sons. Esses comportamentos são especialmente prevalentes à noite e sob condições nas quais a estimulação e os indicadores ambientais estão mais ausentes. Entre os pacientes que tiveram Delirium, 315 de 717 (43,9%) tiveram demência no futuro.

Aproximadamente 37% dos pacientes com Delirium manifestavam esse déficit cognitivo no período da tarde e noite, 47% dos pacientes tiveram o Delirium da manhã. Os pacientes com Delirium apresentaram uma grande variedade de sintomas psiquiátricos.

Mais da metade dos pacientes apresentam ansiedade, retardo psicomotor, irritabilidade. Hipo ou hiperatividade. A maioria dos pacientes foi classificada como tendo o Delirium com alterações emocionais pronunciadas e 43% com sintomas psicóticos pronunciados. O estudo de Sardemberg Este estudo mostra que os pacientes com Delirium têm perfis clínicos muito diferentes. Isto pôde indicar uma necessidade para estratégias diferentes do tratamento para pacientes com os tipos diferentes de Delirium.

As crianças podem ser mais suscetíveis ao Delirium do que os adultos, especialmente quando relacionado a doenças febris e à determinados medicamentos, como por exemplo, os anticolinérgicos. Em crianças, o Delirium pode ser confundido com um comportamento não-cooperativo, e a obtenção de sinais cognitivos distintivos pode ser difícil. Se a criança não consegue ser acalmada por figuras familiares, isto pode ser sugestivo de Delirium.

Etiologia Clínica
O Delirium pode ser associado, fisiologicamente, ao metabolismo cerebral diminuído e à uma deficiência colinérgica. Estes déficits podem ocorrer também na doença de Alzheimer, a mais comum das demências. Alguns autores ressaltam que as semelhanças clínicas, metabólicas e farmacológicas entre o Delirium e a demência sugerem que, tanto o Delirium quanto a demência, sejam decorrentes de algum tipo de insuficiência cerebral.

Para o diagnóstico de Delirium Devido a uma Condição Médica Geral, deve haver evidências clínicas de que a alteração cognitiva é conseqüência direta de uma condição médica. Para isso há necessidade de uma avaliação clínica cuidadosa e abrangente de múltiplos fatores possivelmente etiológicos.

O Delirium pode estar associado com muitas condições médicas distintas, cada qual com exames físicos e achados laboratoriais característicos. Nas doenças sistêmicas, geralmente os sinais neurológicos não costumam ser focais. Nesses casos, por exemplo, várias formas de tremores podem estar presentes. A asterixia, que é um movimento de agitar as mãos hiperestendidas, foi originalmente descrita na encefalopatia hepática, mas pode ser encontrada em associação com outras causas orgânicas e metabólicas de Delirium.

Sinais de hiperatividade autonômica, como por exemplo a taquicardia, sudorese, rubor facial, pupilas dilatadas e pressão sangüínea elevada podem ocorrer com freqüência. Além dos achados laboratoriais característicos das condições clínicas ou das intoxicações ou dos estados de abstinência costumam representar fatores etiológicos importantes. O EEG geralmente está alterado, mostrando lentificação ou atividade rápida generalizadas.

As condições médicas gerais etiológicas do Delirium, incluem infecções sistêmicas, transtornos metabólicos, hipóxia, hipercapnia, hipoglicemia, desequilíbrio eletrolítico, doença hepática ou renal, deficiência de tiamina, estados pós-operatórios, encefalopatia hipertensiva, estados convulsivos pós-ictais e seqüelas de traumatismo craniano. Certas lesões focais do lobo parietal direito e superfície ínfero-medial do lobo occipital também podem provocar Delirium.

Os pacientes geriátricos com demência, quando sofrem algum quadro somático agudo, são altamente vulneráveis a desenvolver o Delirium. É extremamente importante suspeitar e reconhecer o Delirium nestes pacientes de risco, especial em serviços de emergência. Em trabalho recente, foram avaliados 637 pacientes com quadro de Delirium. Segundo Wahlund, as doenças infecciosas eram a causa principal do Delirium em 67% dos casos. Outras causas comuns eram doenças do coração. O uso de substâncias químicas como a única causa do Delirium foi encontrado em menos de 1% dos casos. Aproximadamente 70% desses pacientes teve distúrbios cognitivos severos, demência posterior e prejuízo cognitivo suave. Também se constatou que a existência de doenças múltiplas surgia com freqüência como fator causal do Delirium.

Delirium e Substâncias Químicas
Apesar da etiologia do Delirium ser multifatorial, as drogas costumam ser uma das causas importantes. Quase toda a droga pode causar o prejuízo cognitivo em indivíduos suscetíveis; entretanto, determinadas classes são geralmente mais implicadas.

Os benzodiazepínicos, os opióides, os anticolinérgicos e os antidepressivos tricíclicos são, provavelmente, os mais comuns causadores de Delirium entre os idosos. Antigos antihipertensivos, como por exemplo a reserpina e a clonidina também podem ser perigosos para a saúde da cognição. Antidepressivos mais novos tais como os inibidores seletivos de recaptação da serotonina não foram relacionados à efeitos negativos na cognição.

Diversos fatores podem aumentar o risco de transtornos da cognição induzidos por drogas nas pessoas idosas. Embora algumas drogas apresentam baixo risco de comprometimento da cognição, esse risco pode ser aumentado em pessoas mais velhas. A identificação desses medicamentos e as estratégias preventivas do Delirium podem impedir estas circunstâncias extremamente desagradáveis.

No caso do Delirium Induzido por Substância, deve haver evidência, pela história, exame físico ou achados laboratoriais, de Intoxicação ou de Abstinência de Substância, efeitos colaterais de medicamentos ou exposição a toxinas com suposta relação etiológica relacionados ao Delirium. O Delirium tanto pode ocorrer durante Intoxicação com Substância, quanto por Intoxicação com Substância.

O Delirium que ocorre durante a Intoxicação com Substância pode surgir minutos a horas após o consumo de doses relativamente altas de certas drogas, como por exemplo, a cannabis, cocaína e alucinógenos. Com drogas tais como o álcool, barbitúricos ou meperidina, o Delirium às vezes se desenvolve apenas após uma intoxicação mantida por alguns dias. Habitualmente, o Delirium resolve-se à medida que cessa a intoxicação ou dentro de algumas horas ou dias após seu término.

O Delirium associado com Abstinência de Substância se desenvolve à medida que as concentrações da substância nos tecidos e líquidos corporais diminuem após a redução ou término de um uso prolongado e habitualmente em altas doses de certas substâncias. A duração do Delirium tende a variar de acordo com a meia-vida da substância envolvida: substâncias de ação mais longa em geral estão associadas com síndrome de abstinência mais prolongada. Esse tipo de Delirium por Abstinência de Substância pode persistir por apenas algumas horas ou por até 2-4 semanas.

sábado, 6 de junho de 2009

A história de D. Cléo

Bom para recomeçar
foto de Dona Cléo, de 83 anos, treinado na beirada da piscina

Assim como as crianças merecem uma atenção especial, os idosos também. É como dona Cleonice de Castro Neves que, sozinha recebendo aula da professora Joseane, mostra disposição de quem está começando. Só que ela já tem 83 anos. E nada desde os 73. Um pouco gripada, a professora recomendou que ela não fosse à aula, mas não tem jeito. Ela quer mesmo entrar na água. E demora a sair. Depois da natação faz também hidroginástica. Mudam os professores, os colegas e a atividade, mas ela literalmente permanece dentro da piscina. Dona Cleonice faz outros esportes, como a ioga, mas quando perguntada sobre qual esporte prefere, não tem dúvidas: natação.

"Eu comecei por vontade de aprender. Ficava vendo o pessoal batendo perna na beira da piscina e ficava com inveja. Então comecei. Primeiro eu fiz hidroginástica, durante uns três anos. Depois fiz natação e as duas coisas juntas", explica Cleonice, interrompida pela professora que explica as fases de aprendizado no caso de pessoas mais idosas, assim como com as crianças.

foto da professora Jose, na psicina, dando aula para Dona Cléo "Ela aprendeu a flutuar, adaptação, abrir o olho, soltar borbulhas, movimentar", explicou a professora. No início, dona Cleonice tinha dificuldades, que hoje lembra rindo.

"Aprendi muito. Mas no início eu não conseguia ficar em pé dentro da água. Eu já conseguia nadar de um lado para o outro, mas não ficava em pé. Chegava do outro lado e agarrava no professor pra não cair. No dia em que eu aprendi eu até dei uma festinha lá em casa", explicou dona "Cleo", como é conhecida. Nadar aos 83 anos é algo tão raro, que ela se inscreveu para a disputa de um campeonato master, realizado em Juiz de Fora, e venceu sem disputar. "Ganhei uma medalha, mas não disputei com ninguém porque não tinha ninguém da minha idade", explicou a simpática senhora.

Acreditem ainda temos lembranças

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O antipsicotico seroquel, depoimentos

Olá,
Minha mãe tem o diagnóstico de Alzheimer há 05 anos. Meu pai já faleceu e eu não tenho irmãos. Fiquei um tempo cuidando dela em casa junto com uma empregada, mas, com o avanço da doença, tive que institucionalizá-la. Aconteceram situações que apontaram comportamento de risco e nós não sabíamos lidar com isso. Ela iniciou o tratamento com a risperidona (antipsicótico) e excelon, além da sertralina(antidepressivo). Atualmente a médica geriatra dela substituiu a risperidona pelo seroquel, indicado para casos de esquisofrênia. Ela está em fase de adaptação mas tenho percebido mudanças de humor e também na marcha (andar cambaleando). Estou preocupada, principalmente, depois que ela sofreu uma queda e se machucou. A médica pediu mais um tempo, alegando que essas mudanças são "normais"... Peço aos leitores amigos que escrevam sobre o uso do seroquel para portador de Alzheimer e como tem sido os resultados. No mais, tenho pedido muito a Deus força e sabedoria para lidar com esta doença tão triste! Ela não me reconhece mais como filha, mas, eu sempre a reconhecerei como a pessoa mais especial da minha vida: MINHA MÃE!!!


É complicado a minha mãe ficou muito agitada com o seroquel, já a mãe da minha amiga se deu muito bem com ele. Então vai ter que testar pra ver. Outra coisa, as vezes penso em colocar minha mãe na casa de repouso mas não sei se vou conseguir. A ,minha mãe está há menos de 2 anos doente. Como foi colocar sua mãe lá, tbém sou filha única e meu pai faleceu e tem uma cuidadora mas estou sofrendo muito e ficando com grande desgaste emocional. Estou ficando doente. Como vc escolheu essa instituição? E quanto vc paga e como é o tratamento. E que cidade ´que vc mora? Abraços




Minha mãe toma o Seroquel e se adaptou muito bem a este medicamento. Durante muito tempo o considerei um santo remédio, pois era a garantia de uma noite de sono tranquila. No momento, tenho passado por uma turbulência que desestabilizou o estado da minha mãe, por conta de uma fratura de tornozelo, e minhas noites já não estão assim tão tranquilas... Cada organismo reage de um jeito e o que é bom pra uns, pra outros pode ser desastroso, por isso é difícil emitir opiniões. Por experiência aprendi que o tratamento é um jogo de acertos e erros, quando uma coisa não dá certo tentamos outra que se apresenta mais eficaz.
Um abraço e força
Monica


Depoimentos de familiares dos portadores de Alzheimer.....mais depoimentos encontrem no Site:WWW.alzheimer.com ou www.abraz.com.br.

trocar informações é um modo de aliviar a nossa dôr.
!

A Familia do Portador de DAlzheimer

RECONCILIAÇÃO
Cida, de 49 anos, voltou para o marido, Oswaldo, depois de descobrir que ele sofria de Alzheimer. Ela freqüenta um grupo de apoio aos portadores para lidar com o estresse

Em uma noite de outubro do ano passado, o carioca Oswaldo Fernandes dos Santos, de 76 anos, ex-agente da Polícia Federal aposentado, ameaçou atirar no próprio carro. Ele dizia que dentro dele estavam “espíritos e cabeças sem corpo” que o perseguiam. Sem saber como se livrar deles, telefonou à polícia. A policial que atendeu o chamado localizou e chamou Cida Fonseca, de 49 anos, ex-mulher de Oswaldo. Quando Cida chegou, deparou com um Oswaldo de olhos esbugalhados, apontando para a própria cama e dizendo: “Olha aí um espírito de bebê”. Em estado de choque, sem entender o que se passava com o homem com quem conviveu por 25 anos, Cida levou Oswaldo para fazer uma batelada de exames (e com muito jeito apoderou-se da arma dele no hospital). Suspeitava que o ex-marido tivesse tuberculose, pois perdeu 15 quilos em três meses. O diagnóstico a surpreendeu: Alzheimer, doença que ela desconhecia. Cida decidiu, então, voltar para o ex-marido, por um motivo simples: “Não havia mais ninguém para cuidar dele”. Quase um ano depois, em setembro, Cida foi internada com cólicas nos rins. “Isso é medo. A morte está presente. É muito estressante ver uma pessoa que ama morrer aos poucos”, diz ela.

Ao receber alta, um dia depois, Cida participou do primeiro encontro de portadores de Alzheimer e seus cuidadores organizado pela Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). Antes, a Abraz fazia reuniões sem os doentes, mas concluiu que encontros conjuntos são mais eficazes. Os cuidados dos familiares e de pessoas próximas são tão importantes quanto a medicação para o tratamento do Alzheimer. De acordo com uma pesquisa qualitativa da psicóloga paulista Márcia Limeira Dourado, publicada recentemente pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a partir do atendimento em grupo as famílias conseguem tratar melhor do paciente e, conseqüentemente, melhorar a qualidade de vida do portador – e do cuidador.

A doença de Alzheimer é degenerativa e progressiva. Geralmente, afeta os neurônios de pessoas com mais de 65 anos. Não tem cura. É a mais comum das demências: atinge 18 milhões de pessoas no mundo e 1 milhão de brasileiros. Pode se estender por mais de 15 anos (leia o quadro). Como hoje as pessoas vivem mais tempo, o número de casos tem aumentado. Segundo um relatório da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, divulgado em junho, 100 milhões de pessoas terão Alzheimer até 2050. Cerca de 40% dos casos estarão na fase avançada, em que os doentes ficam totalmente dependentes dos cuidadores. “Será uma epidemia global”, diz o responsável pela estimativa, Ron Brookmeyer.

O Alzheimer exige tanto das pessoas que cuidam dos pacientes que, algumas vezes, elas morrem antes dos doentes. É preciso que o cuidador mantenha-se física e psicologicamente saudável para dar conta de uma situação que gera extremo estresse.
“ Quem não conhece o problema talvez não entenda por que os familiares do doente dizem que se trata do luto em vida” Rosilene Souza Lima, psicóloga e gerontóloga

A gerontóloga e psicóloga Rosilene Souza Lima, coordenadora do grupo de apoio da Abraz de São Paulo, explica que a doença é uma tragédia que atinge toda a família. “O primeiro olhar dos parentes é de quem olha um louco”, afirma. “De uma hora para outra, alguém que tinha um comportamento normal começa a esquecer tudo, confundir as pessoas, tirar a roupa em qualquer lugar ou falar palavrões.” Rosilene é pioneira no tratamento conjunto de familiares e cuidadores no Brasil. “Tratar do portador de Alzheimer é também cuidar de quem está em torno dele”, diz. É preciso ensinar a lidar com a culpa, o cansaço, a impaciência, a angústia e a tristeza. “Quem não conhece talvez não entenda quando os familiares do doente em estágio avançado dizem que se trata do luto em vida”, afirma.

Na primeira fase da doença, os cuidadores podem oferecer maior autonomia aos doentes, como na hora de escovar os dentes ou tomar banho. Tomar a dianteira e fazer tudo por eles não é uma boa medida, segundo a psicóloga. É nesse primeiro estágio que a pessoa começa a perder a memória recente e não reconhecer os entes. Uma noite, o paulista Geraldo Borghi, de 78 anos, levantou-se da cama e disse à esposa: “Saia daqui porque minha mulher não vai gostar”. Não lembrava mais que Dorcelina Borghi, de 69 anos, era sua companheira de décadas. Aos poucos, Dorcelina aprendeu a lidar com os desdobramentos da doença. “São quase 50 anos juntos, e ele sempre foi um marido maravilhoso. Agora, tenho de ter muita paciência”, diz. Geraldo deixou de ver televisão, ler jornais e sair de casa. Nos raros momentos de lucidez, pede desculpas à mulher pelos transtornos que causa. “Ele me pergunta: ‘Você me perdoa?’”, afirma Dorcelina, com lágrimas nos olhos.

A compreensão é um dos sentimentos mais difíceis para o cuidador. Como entender que um homem bonito e com um físico invejável para a idade esteja com a mente em plena degeneração? “É muito duro”, diz Dorcelina, uma frase repetida constantemente pelos cuidadores. A exaustão a obrigou a recorrer a antidepressivos. Além do marido, a dona de casa ainda cuida da filha Fátima, de 48 anos, que tem problemas de visão. Dorcelina atribui seu diabetes ao estresse.
MULHER DE FIBRA
Além do marido, Geraldo Borghi, de 78 anos, que exige vigilância 24 horas, Dorcelina cuida da filha Fátima, de 48, que não enxerga bem. Dorcelina atribui seu diabetes ao cansaço

A atenção constante que o paciente exige faz com que os cuidadores raramente saiam de casa. É comum os doentes não reconhecerem onde moram e tentarem fugir. Dezenas de desaparecimentos são registrados todos os anos. Um exemplo é o de Idia Araújo Silva, de 72 anos, moradora de Bauru, São Paulo. Em dezembro do ano passado, ela desapareceu na cidade litorânea de Ubatuba. A família está preparando uma campanha com cartazes e anúncios de rádio para encontrá-la. Por conta do risco de fuga, é sempre bom avaliar se os doentes estão em local seguro. Na primeira fase, em que eles acreditam ser capazes de fazer tudo como antes, é preciso tato na hora de falar. A doença afeta a capacidade de aprendizado, de atenção, orientação, compreensão e linguagem. Em algumas situações, o portador da doença pode se tornar teimoso e insistir em fazer o que não pode. A teimosia pode levar o cuidador a sentir raiva do doente e da situação – um sentimento normal, dizem os psicólogos.

Muitos familiares ficam nostálgicos e querem que a pessoa volte a ser como era antes. A consultora financeira carioca Rosângela Littério sente falta da cumplicidade que tinha com a mãe, Laura Littério, de 60 anos, portadora de Alzheimer. Era com ela que Rosângela costumava dividir os problemas e pedir conselhos. Hoje, isso é impossível. “Choro muito sozinha. Muitas vezes, sento-me ao lado dela e desabafo. Ela ouve e até me faz carinho. Mas dez minutos depois esqueceu o que eu disse”, afirma a filha. O cuidador muitas vezes fala “com o vazio”, porque o doente, mentalmente, não está mais lá. Rosângela diz que às vezes se engana, acreditando que a mãe está melhor, e em seguida percebe que a progressiva perda de capacidades não parou. Na peça americana A Graça da Vida, em temporada em teatros paulistas, a atriz Nathalia Timberg interpreta a mãe portadora de Alzheimer, e Graziella Moretto a filha. Elas encenam uma delicada relação em que tentam fazer os acertos com o passado. O final feliz, em que a paciente se recupera, está longe da realidade. As mudanças de comportamento no Alzheimer só tendem a se agravar. “Se hoje eu fico deprimida pelas repetições das frases, imagine quando minha mãe não me reconhecer mais”, diz Rosângela. Ângelo, pai de Rosângela e marido de Laura, entrou em depressão e morreu de infarto há três meses.
“Uma velhice com saúde significa uma economia brutal para o sistema público. E não é só pelo dinheiro. O mais importante é a diminuição do sofrimento humano”
Wagner Gattaz , diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas em São Paulo

À medida que os cuidadores aceitam e passam conhecer melhor a doença, menos penoso fica lidar com ela. Os grupos de apoio ajudam a aliviar o sofrimento. Neles, os familiares compartilham sentimentos, pedem conselhos e desabafam. Eles aprendem que é bom dividir as tarefas em família, e não sobrecarregar um único cuidador. Geralmente, as atribuições recaem sobre as filhas solteiras, as viúvas ou os que supostamente têm mais tempo e condições financeiras. É comum as famílias brigarem por causa disso. “A doença pode desagregar a família, porque mobiliza muitos sentimentos: raiva, competição, onipotência. O filho que vê a mãe doente apenas no fim de semana não percebe a degradação dela e acha que o cuidador exagera no tratamento”, diz a psicóloga Rosilene.

Nas reuniões com parentes e cuidadores, os neurologistas e psicólogos também divulgam as últimas novidades em tratamentos e medicamentos. Um século depois de descoberto, o Alzheimer ainda não foi completamente explicado. Pode estar relacionado a fatores genéticos e ambientais ainda desconhecidos. Os neurologistas dizem que o diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento. Muitas vezes, um sintoma do Alzheimer, como o esquecimento, é confundido como parte de um quadro natural da velhice. Centros como o Núcleo de Diagnóstico da Memória, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, realizam checkups em pessoas que reclamam da perda de funções cognitivas, como a falta de memória. Hoje, há tratamentos e remédios que freiam a evolução da doença (leia o quadro à pág. 95). Wagner Gattaz, diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, acredita que em breve haverá medicamentos que retardarão em até sete anos o início da doença. Gattaz e sua equipe acabam de realizar o primeiro estudo clínico que confirma na prática o benefício do lítio, uma substância química, na prevenção do Alzheimer. A pesquisa realizada com 120 idosos concluiu que os que tomaram lítio tiveram seis vezes menos riscos de contrair Alzheimer. “A maior parte dos remédios tem foco no bloqueio do acúmulo de proteínas anormais no cérebro”, diz o neurologista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais Paulo Caramelli. A Associação Americana de Alzheimer, a maior organização privada de combate à doença, pressiona a Casa Branca para aumentar o orçamento do combate à doença para US$ 1,3 bilhão, o dobro do que vem sendo destinado desde 2003. O custo com Alzheimer para os cofres públicos, em todo o mundo, é de US$ 315 bilhões. “Uma velhice com saúde significa uma economia brutal para o sistema público”, afirma o psiquiatra Gattaz. O Ministério da Saúde criou o Programa de Assistência aos Portadores da Doença de Alzheimer, que funciona nos centros de referência, responsáveis pela distribuição gratuita de medicamentos. Os cuidadores, porém, reclamam da burocracia e dizem que nem sempre a medicação está disponível.
OPÇÃO
Lourdes Ferreira, de 62 anos, decidiu internar a mãe, Irene, em uma clínica, para que ela tivesse acompanhamento médico permanente

Além da medicação, proporcionar bem-estar ao portador é fundamental. Segundo o psiquiatra Jerson Laks, coordenador do Centro de Estudos de Alzheimer da Universidade Federal do Rio de Janeiro, terapias como artes e dança, que estimulam o cérebro do doente, não têm eficácia comprovada, mas podem ajudar o paciente a sentir-se bem. “Essa estimulação é importante para a melhora do quadro geral do paciente. Ela deve respeitar os gostos, o temperamento e o conforto dele. Pode evitar a depressão que, muitas vezes, ocorre a reboque da doença”, diz.

Os gastos com remédios – em torno de R$ 1.500 mensais – são apenas uma pequena parcela dos custos que afetam o orçamento de um cuidador. Por isso, os profissionais da área aconselham que, ao saber da doença na família, seja feito um planejamento financeiro, que deve ser atualizado à medida que a doença avança. Quem sofre de demência não tem condições de fazer operações financeiras simples, como passar um cheque. O advogado carioca de Direito de família Luiz Fernando Gevaerd cita o novo Código Civil: “Ele determina que o portador de Alzheimer em grau avançado não tem mais a capacidade civil de gerir seus bens pessoais”. Os filhos, o cônjuge e os parentes mais próximos podem requerer a um juiz o direito de agir em nome dele.
“Tenho o maior orgulho de ter cuidado com dignidade da minha mãe durante 14 anos. Valeu a pena”
Maria Aparecida, mãe de Geralda, que acaba de falecer

Outra boa razão para fazer um planejamento é que, freqüentemente, por conta da dedicação exclusiva, o cuidador é obrigado a parar de trabalhar ou contratar profissionais. O carioca Armando Martins, aposentado e ex-auditor de um banco, era dono de um comércio quando descobriu que sua mulher, Sueli Maria Couto, sofria de Alzheimer. Largou tudo para cuidar dela. Hoje, casado com Sueli há 37 anos, a dedicação continua sendo integral. Sueli já perdeu quase todas as funções cognitivas. Aos 52 anos, não fala mais e não consegue entender o que as pessoas dizem. Precisa de alguém que lhe dê banho e comida. Passa o dia inteiro andando pela casa. Como ela precisa de atenção 24 horas – muitas vezes acorda à noite e quer andar –, Armando hoje conta com duas auxiliares. No início, ele fazia tudo sozinho. “Faço tudo por ela. Até aprendi a cozinhar”, diz. Conta que deixou de ver os amigos, de ir ao cinema, de ver futebol. “Fui perdendo peso, ficando nervoso.” Passou por uma forte depressão. Hoje, sofre de diabetes. “A sorte é que tenho bons filhos”, diz. Numa ocasião em que a saúde dele estava particularmente abalada, Armando foi aconselhado a internar Sueli em uma clínica. Ela passou um ano lá. Armando, que mora em São Paulo, agora até consegue ir visitar a família no Rio de Janeiro. Afirma que teve de redimensionar o comportamento. “Eu queria dominar a doença e não conseguia. É uma frustração imensa, porque sempre pude fazer tudo.”
TOTAL DEDICAÇÃO
Armando Martins, de 61 anos, parou de trabalhar para cuidar da mulher, Sueli. Com o avanço da doença, ele teve de contratar duas ajudantes para dar conta de tarefas como alimentação e higiene

Enviar o portador de Alzheimer para uma clínica é sempre uma decisão difícil para os familiares, principalmente no Brasil, onde há uma tradição de cuidar dos mais velhos em casa. “Existe o sentimento de que o idoso está sendo abandonado em uma casa de repouso”, afirma a curitibana Marleth Silva, autora do livro Quem Vai Cuidar dos Nossos Pais – A Inversão dos Papéis Quando a Idade Avança (editora Record). A escritora entrevistou uma dezena de médicos, psicólogos e pacientes. Antes de terminar o livro, foi informada que sua mãe estava com Alzheimer. Ela não é a cuidadora – o irmão é o responsável –, mas com as entrevistas foi capaz de entender melhor como cuidar do idoso. Marleth lembra que muitos cuidadores não têm o condicionamento físico necessário para assumir a responsabilidade pelo parente. Atribuições como levantar-se de duas em duas horas para mudar a posição do doente acamado requer muito esforço. Em 2000, a pedagoga carioca Lourdes Ferreira, de 62 anos, contratou uma acompanhante para a mãe, Irene Taveira de Paula, e passou a administrar duas casas, a dela e a da mãe. Em pouco tempo, foi necessário contratar mais uma cuidadora, à medida que Irene ficava mais dependente. Aos poucos, a rotina tornou-se insuportável. Lourdes pensou em levar a mãe para a casa dela, mas desistiu da idéia. “Estou casada há 40 anos. Acomodar minha mãe e toda uma estrutura estranha a minha casa seria invadir o espaço de meu marido e de meus filhos. Sem falar de minha própria vida”, afirma. “Como no dia em que eu soube do diagnóstico, chorei e pedi uma luz: uma forma de fazer com que minha mãe ficasse bem, e minha família também.” Por fim, Lourdes encontrou uma clínica para idosos a um quarteirão de sua casa, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. “Freqüentei grupos de apoio e percebi como ficavam as famílias que, por culpa ou por falta de dinheiro, cuidavam dos doentes em casa. As pessoas ficam em frangalhos, e muitas vezes não conseguem dar um cuidado adequado”, diz. No ano passado, o estado de Irene piorou bastante. Lourdes resolveu interná-la na clínica. A família ficou dividida. “No esquema antigo, ela ficava na casa de repouso a maior parte do tempo, mas, oficialmente, morava em casa”, diz. Hoje, Lourdes a visita quase todos os dias. Só pelo quarto individual, paga R$ 3 mil por mês. “Quando me perguntam se eu acho que o melhor é colocar o doente de Alzheimer numa instituição, respondo que essa solução foi melhor para mim. Cada pessoa precisa encontrar a sua.”

Na fase mais avançada da doença, o isolamento entre cuidador e paciente aumenta. Foi nesse período que Geralda Albuquerque Guimarães, de 84 anos, perdeu a maior parte dos movimentos. Geralda sempre foi uma mulher independente. Administrava o próprio dinheiro e viajava o mundo inteiro. Conheceu os Estados Unidos, a Europa, a China, o Japão. Para a caçula Maria Aparecida, de 59 anos, hoje presidente da Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer (Apaz), foi muito difícil ver a própria mãe com Alzheimer. “Ela sempre disse que ficar dependente de alguém seria como a morte.” Há um mês, Aparecida achou a mãe esquisita, embora ela não demonstrasse nada. “Era uma coisa no olhar. Uma angústia”, diz. Aparecida interpretou como dor. Estava certa. Geralda estava com princípio de pneumonia – uma das causas mais freqüentes de morte dos pacientes de Alzheimer. Geralda morreu enquanto esta reportagem era preparada. Aparecida resumiu diante da perda a atitude de um anjo da guarda. “Tenho o maior orgulho de ter cuidado com dignidade de minha mãe durante 14 anos. Valeu a pena.”

Quem foi Alzheimer

Em 1901, o neurologista alemão Alois Alzheimer (1864-1915, foto acima) diagnosticou uma “rara doença de córtex cerebral” na paciente Auguste Deter, de 51 anos. Em 1906, Alzheimer descreveu a doença neurodegenerativa pela primeira vez em uma conferência. O médico definiu a patologia neurológica como uma demência cujos sintomas seriam déficit da memória, alterações de comportamento e incapacidade para executar atividades rotineiras. Anos depois, um colega de Alzheimer, Emil Kraepelin (1856-1926), deu à doença o nome do neurologista.





O manual do cuidador

A tarefa nem sempre é fácil. Exige paciência, criatividade, dedicação e, principalmente, afeto

Uma nova rotina

Ela pode auxiliar o portador a se adaptar à doença e facilitar o cumprimento das atividades, como horário para a medicação, banho e alimentação

Incentivo à independência

Estimule atividades do cotidiano, como se vestir sozinho. Nessas ações, é preciso supervisionar e respeitar as limitações do portador

Dignidade

Envelhecer com dignidade é um dos principais desejos do idoso. Portanto não exponha suas condições na frente de outras pessoas. Converse sobre as dificuldades do paciente longe dele

Confrontos

Inevitavelmente, conflitos vão surgir. Mantenha a calma e lembre-se que está lidando com uma pessoa que pode sofrer de momentos de agitação, extrema irritação e até agressividade. O contato físico, como um carinho, sempre ajuda a acalmar os ânimos

Segurança

A casa segura evita acidentes e fugas repentinas. O portador, muitas vezes, não reconhece mais o lugar onde mora e tenta fugir. Verifique todos os móveis e utensílios que oferecem riscos

Diálogo

Perguntas e respostas simples ajudam a compreensão. Faça-as de uma maneira que o portador possa dizer “sim” ou “não”, seja por meio de palavras ou gestos. Com o avanço da doença, certifique-se de que ele está sendo entendido por todos e tendo suas necessidades atendidas. Use palavras-chave que remetam à memória que ele ainda preserva

Saúde física

O exercício físico é um colaborador na manutenção da saúde como um todo, desde que respeitadas as condições do doente. Pergunte ao médico o que é mais apropriado para ele
Mitos e verdades
Verdade Mito
O diagnóstico não é 100% certo A única forma de comprovação é um exame do tecido cerebral após a morte do doente. Em vida, o diagnóstico é feito por exclusão de outros tipos de demências. Hoje, os acertos são superiores a 90% O primeiro sintoma é sempre a perda da memóriaIsso acontece na maioria das vezes. Outros sintomas, como instabilidade emocional, dificuldade de concentração ou de tomar decisões, também podem ser os primeiros
O nível de educação e tempo de trabalho ajudam a determinar quem terá Alzheimer na velhice
Pesquisas já demonstraram que pessoas que sempre trabalharam e tiveram maior tempo de educação formal correm menos riscos de adquirir Alzheimer A doença de Alzheimer é hereditária
Normalmente a doença só está relacionada a fatores genéticos quando ela aparece em adultos jovens (30, 40 anos). E estes casos correspondem a apenas 5% do total
Não existe nenhum medicamento que interrompa o processo da doença
Alguns medicamentos podem tornar o processo mais demorado ou atacar problemas paralelos da doença, como insônia ou agitação. Mas não interrompem o processo Alzheimer é uma doença feminina
Homens e mulheres têm Alzheimer. Embora a doença se manifeste mais entre as mulheres, não se sabe se o risco está no sexo ou no fato de elas terem maior expectativa de vida
Alzheimer prejudica o sistema imunológico
É comum a ocorrência de infecções respiratórias e urinárias. Pneumonia é uma causa freqüente de morte O doente tem direito a saber que tem Alzheimer
A decisão depende da família. A orientação é, na medida do possível, poupar o paciente
Não há cura para Alzheimer
Atividades que exercitam a mente, como leituras ou palavras cruzadas, ajudam a adiar o processo. Uma vez instalada a doença, as atividades servem para manter o doente relaxado e ocupado, mas não a fazem regredir Um parente é sempre o melhor cuidador
Muitos familiares sentem culpa por deixar o doente com cuidadores profissionais ou instituições, mas a partir de determinado estágio da doença a clínica pode ser a melhor opção




Tratamentos e medicação

As drogas só devem ser tomadas com prescrição médica. Algumas delas
causam efeitos colaterais

Nas fases inicial e intermediária, as drogas aumentam os níveis de acetilcolina, um neurotransmissor no cérebro. São: donepezil, galantamina e rivastigmina (optando-se por uma delas). Diz-se que têm ação colinérgica, ou seja, um efeito sobre o funcionamento cognitivo, mental. Melhoram o desempenho funcional e as atividades do dia-a-dia e têm alguns benefícios sobre os sintomas comportamentais. “Delírios, alucinações e comportamento agressivo tendem a diminuir, claro, com variações de um paciente para outro”, diz Paulo Caramelli, neurologista

Nas fases moderada e grave, outro medicamento (combinado com um dos primeiros) é aconselhável: a memantina, um modulador do glutamato, outro neurotransmissor


Fonte: Revista Veja

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O mal que se chama Alzheimer

Vacina contra o Mal de Alzheimer
Poendo ser usada para a prevenção ou nas Fases da Doença

O mal de Alzheimer é uma síndrome neurodegenerativa causada pela acumulação da proteína beta-amilóide no meio extracelular do tecido cerebral e, na maioria dos casos, aparece entre os 65 e 85 anos. Esse composto é produzido naturalmente pelo organismo, mas começa a formar agregados de moléculas quando sua síntese extrapola os níveis normais. A placa senil (depósitos de beta-amilóide acumulada) é a circunferência rosada quase no centro da imagem.
Teve resultados promissores a primeira fase de testes de uma vacina contra o mal de Alzheimer criada por pesquisadores do Instituto Metropolitano de Neurociência de Tóquio e da Novartis. Em ensaios com camundongos, a substância permitiu tanto evitar o desenvolvimento da doença como reduzir a patologia quando ela já havia se manifestado. O mal de Alzheimer atinge cerca de 18 milhões de pessoas no mundo e não tem cura – as formas de tratamento existentes permitem apenas aliviar os sintomas.

“Como os testes da vacina em camundongos revelaram resultados muito positivos, estamos empenhados em começar os testes em seres humanos em até três anos”, diz Yoh Matsumoto, um dos autores do estudo publicado em junho na revista PNAS, em entrevista à CH On-line.

A vacina consiste na aplicação de um vetor de DNA que possui um trecho com a seqüência que serve de molde para a produção da proteína beta-amilóide, cujo acúmulo no cérebro caracteriza o mal de Alzheimer (leia a legenda da foto acima e saiba mais). Essa seqüência genética passa a ser expressa nas células do organismo que recebeu a vacina e, com isso, elas passam a produzir uma quantidade de beta-amilóide acima do normal. Assim, o tratamento estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos específicos contra essa proteína.

A equipe de cientistas testou a vacina em camundongos modificados geneticamente para desenvolver o mal de Alzheimer e observou que, quando ela era aplicada antes do desenvolvimento da doença, retardava seu aparecimento. Nos animais que receberam a vacina após o acúmulo de depósitos de beta-amilóide, a quantidade de placas diminuiu consideravelmente. “A vacina reduziu a deposição de beta-amilóide tanto no tratamento profilático como no terapêutico”, ressalta Matsumoto.

Uma outra vacina contra o mal de Alzheimer havia sido criada pela multinacional Elan Pharmaceuticals juntamente com a American Home Products, em 2000. Ela também induzia a resposta imunológica do organismo à beta-amilóide, mas causou o desenvolvimento de inflamação das meninges cerebrais (meningoencefalite aguda) em 6% dos pacientes na segunda fase clínica, realizada em 2002. Após a ocorrência desses problemas, os testes com humanos foram interrompidos.

Ao contrário da vacina de DNA que acaba de ser criada – em que o próprio organismo é induzido a produzir níveis aumentados da proteína beta-amilóide –, no caso da vacina criada em 2002, a própria proteína era injetada nos pacientes por via intramuscular, a fim de gerar uma resposta imune rápida e eficiente à sua acumulação. Porém, esse mecanismo causou uma forte reação do sistema imunológico, o que levou à inflamação no tecido neural de alguns pacientes.

Matsumoto afirma que não há risco que o mesmo se repita com o tratamento desenvolvido por sua equipe. “Nossa vacina de DNA induz uma resposta imune amena e eleva a quantidade de anticorpos anti-beta-amilóide no organismo vagarosamente”, explica. “Por isso, ela não estimula células T patogênicas que induzem à inflamação do tecido neural.” Ainda não foi observado nenhum efeito colateral associado à nova vacina, mas os cientistas estão verificando sua segurança em chimpanzés.


Franciane Lovati
Ciência Hoje On-line
04/07/2006

terça-feira, 2 de junho de 2009

A pele do idoso

No processo do envelhecimento a pele se torna seca , fina e inelastica. Favorecendo a queija de prurido, lesões de continuidade a formação de Hematomas espontâneos ou sem consequência de pequenos traumas. Isso é particularmente evidente em pacientes geriatricos altamentes dependentes, hospitalizados ou institucionalizados,sendo prudente avisar a familiares e cuidadores sobre esta peculiaridades cutâneas,para que não ocorram interpretações de negligencia ou imperícia. Cabe sempre a lembrança de que hematoma em grande quantidade, em diferentes fases de resolução e em locais pouco usuais podem ser decorrentes de uso inapropriado ou simultâneo de medicamentos com propriedades e interações anticoagulantes, como acido acetilsalicíco, atiinflamatórios não hormonais, Ginko biloba, Panax ginseg e Salix alba.

segunda-feira, 1 de junho de 2009